Estudo sobre os desejos e recursos defensivos – IPS

Estudo sobre os desejos e recursos defensivos

“Quando não se pensa o que se diz é quando se diz o que se pensa”

Jacinto Benavente

 

UM ESTUDO SOBRE OS DESEJOS E RECURSOS DEFENSIVOS DE PROFESSORES QUE ATUAM NO ENSINO FUNDAMENTAL DE UMA ESCOLA PÚBLICA NA CIDADE DE SÃO PAULO – BRASIL.

 

Autoras: Sneiderman S[1]., Banhos M.[2], Bongardino L[3]., Ghidella M.[4], Martino F.[5], Moura A.J.[6], Biaín A.[7], Iglesias F[8].

[1]Doutora em Psicologia UCES, Bs.As, Arg. Professora USAL, UCES, Bs.As. Arg. susanasneiderman@hotmail.com 2 Doutoranda UCES, Bs.As, Arg. marlenebanhos@gmail.com

3 Psicóloga. Professora USAL, UCES, Bs. As. Arg. 4 Psicóloga. Professora USAL, Bs. As. Arg.

5 Psicóloga. Professora USAL, UCES, Bs. As. Arg. 6 Psicóloga. Doutoranda UCES, Bs.As, Arg.

7 Psicólogo. Professor UCES, Bs. As. Arg. 8 Psicóloga UCES, Bs. As. Arg.

 

Resumo

Objetivou-se refletir sobre as vicissitudes sofridas pelo educador do Ensino Fundamental. Analisamos uma pequena amostra de professoras da rede pública da cidade de São Paulo – Brasil, explorando quais recursos psicológicos funcionais dispõe para realizarem suas funções laborais cotidianas. Estudamos quais desejos e mecanismos de defesa são utilizados, bem como o que poderia acontecer se estes falharem.

Palavras – chave: professor, desejos, defensas, questionário desiderativo.

 

Summary

The objective is to consider the vicissitudes elementary school teachers face. We analyze a small sample of public school teachers in Sao Paulo, Brazil, exploring  the functional psychological resources they apply in their daily work. We consider the wishes and defenses employed as well as the alternatives in case they fail.

Key words: teacher, wishes, defenses, desiderative questionnaire

 

Introdução

O propósito deste trabalho é reflexionar sobre as contingências sofridas pelo educador do Ensino Fundamental, colocando nossa ênfase no mal estar do professor como um símbolo da cultura atual e de um sistema educacional em crise, já que o mesmo encontra-se diante de condições de trabalho adversas como os baixos salários, as múltiplas tarefas que lhe são atribuídas, as condições de trabalho que afetam tanto os processos de ensino quanto os processos de aprendizagem, dentre outros fatores que podem provocar desprazer na docência ocasionando o adoecer dentro do processo de trabalho, restringindo, deste modo, a qualidade da Educação.  Para isso, analisamos uma pequena amostra de mulheres que são professoras da rede pública da cidade de São Paulo, (SP, Br.). Nesta ocasião, estávamos interessados em explorar quais recursos psicológicos, pessoais e funcionais que elas dispõem para enfrentarem suas funções laborais cotidianas. Principalmente queríamos estudar quais desejos e quais mecanismos de defesa são utilizados, bem como o que poderia acontecer se estes falharem. Para isso, utilizamos a técnica projetiva do “Questionário Desiderativo” (Sneiderman, S. 2012), que além de avaliar os desejos e mecanismos defensivos, também avalia a capacidade de simbolização, traços de personalidade, ideais, valores e como um sujeito se recompõe diante de frustrações e perdas. Colocamos a ênfase nesses recursos, encontrando manifestações ligadas ao valor com que a docência é abordada, experimentando-a como um desafio que, às vezes, quando frustrado, pode levar a sentimentos de depressão e a experiências maçantes de rotina. Outro recurso interessante é o uso da reflexão e do pensamento abstrato como forma de comunicação. Os recursos ligados à manifestação de afetos também foram visualizados, o que, em caso de falha, dará origem a uma propensão para produzir sintomas corporais, como contraturas, alergias e outros tipos de manifestações psicossomáticas. Estes resultados geram preocupação, uma vez que é consistente com as justificativas encontradas nos relatórios sobre as altas taxas de licença por doença e o absenteísmo que atualmente estão presentes no Sistema Educacional.

O trabalho teve como objetivo expor uma possibilidade preventiva sobre as probabilidades do adoecer em profissionais, avaliados numa amostra de trabalhadores regulares, do sexo feminino, que atuam na área da Educação.

 

A educação para a Psicanálise

Freud (1914) postulou que a Educação, e especialmente os professores, desempenham um papel importante no processo de organização do ego. Eles intervêm no fortalecimento de funções protetoras em relação ao entorno e também se interpõem no controle das tendências pulsionais, a partir da introdução dos ideais e a da consolidação da lei cultural. A Educação permite fortalecer a função paterna, no sentido de que é ela quem promove a lei e a possibilidade de instituir uma repressão dos impulsos, condição necessária para a entrada da Cultura e da Educação formal no período de Latência. Em seu texto “Algumas reflexões sobre a psicologia do escolar” [(1914) 2006], Freud destaca a importância do papel dos professores na vida dos alunos, considerando o docente como o substituto dos primeiros objetos com os quais o sujeito se relacionou nos seus primeiros tempos (pais, irmãos, etc.). Essas relações originais são fixadas no psiquismo como uma marca indelével, que se torna um modelo para os vínculos estabelecidos no futuro. O vínculo com o pai é fundamental na vida psíquica do estudante, e os relacionamentos futuros serão construídos com esse vínculo.

 

O mal-estar do professor como fenômeno atual da cultura na área da Educação

Cerca de duas décadas atrás, o conceito de “mal-estar do professor” surgiu fortemente com o trabalho de Anny Cordié (1998), na França. Esta conceituação foi rapidamente considerada em outras sociedades, especialmente na América Latina. Pilar de Quintero (2014) coloca que se é permitido compreender essa situação a partir da perspectiva psicanalítica. A autora diz que o mal-estar do professor não deve ser identificado apenas como resultado de uma série de eventos e situações que emergem de forma externa ao sujeito. Em outras palavras, para ela, nem tudo são contextuais e sociais. Ela também acrescenta que, ver o fenômeno dessa perspectiva, isenta o professor de toda responsabilidade e evita a compreensão do problema em sua complexa dimensão. Ela ressalta que a ideia de estresse como a principal fonte de mal estar implica uma posição passiva por parte do sujeito e que, embora possa ser uma manifestação reativa, o sujeito deve ser responsável por seu sintoma. Então, é possível afirmar que não é conveniente uma visão tendenciosa que negligencia o aspecto social. Atualmente, no Brasil e em alguns países latino-americanos, como Argentina e Colômbia, há um aumento progressivo de professores com capacidade de trabalho reduzida devido a várias causas médicas e psicológicas. Esta situação gera a transferência de professores titulares para as áreas administrativas e força a contratação de professores substitutos, mostrando uma deterioração na qualidade de vida e saúde de um número significativo desses profissionais.

Uma pesquisa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP) revela que de 40% dos professores afastados por problemas de saúde, quatro tiveram algum tipo de transtorno psiquiátrico. Os diagnósticos mais comuns foram ansiedade e depressão. Cada professor das redes públicas de ensino do Estado de São Paulo registra, em média, 30 dias de ausência das escolas no período de um ano letivo. Essas ausências têm como justificativa principal as licenças médicas, que representam, na média, 60% dos dias de ausência na rede estadual e na rede municipal da capital paulista. No restante das prefeituras do Estado, esse índice é de 39% (2015). O número de ausências equivale a 15% do total de 200 dias letivos que cada escola é obrigada a cumprir pela legislação. Na rede Estadual de São Paulo, que conta com mais de 5.000 escolas e o maior volume de professores do país, foram 28 ausências por professor em 2015. Em 2016, o número passou para 24 dias.

Dentre alguns sintomas típicos que levam a altas taxas de licenças de trabalho entre professores está o “burn out”, palavra inglesa que é traduzida como “estresse de trabalho crônico“, diretamente relacionado às demandas feitas ao empregado e ao plano de trabalho. Essas conceituações são transferidas para o campo educacional e lidas como doenças que afligem a profissão docente, uma doença que aparece quando o estresse é crônico e os mecanismos de enfrentamento do sujeito não são os mais adequados. Deve ser esclarecido aqui que o conceito de enfrentamento é muito diferente do conceito de defesas que abordaremos em nosso estudo, uma vez que o primeiro envolve uma percepção consciente do conflito, e, enquanto as defesas são mecanismos inconscientes, ou seja, involuntários por parte do sujeito.

Também há o sentimento de desânimo e solidão, pois o discurso do professor revela uma grande solidão que este sente no desempenho de sua atividade profissional.

Conforme Savio, N. e Cuello, M.(2009):

Na busca de respostas para o mal estar, alguns professores passam por consultórios médicos, recebendo diagnósticos de depressão, prescrições e documentos que certificam sua incapacidade para o trabalho.  Esse professor que sofre diferentes sintomas: estresse, depressão, apatia, fobias, etc., oscila entre a queixa e a licença médica, sofrendo uma deterioração progressiva da capacidade de aproveitar seu trabalho (indicador freudiano de rachaduras de sua saúde psíquica). (p.81).

Pensamos que é importante obter informações sobre os recursos internos destes profissionais , bem como uma possível detecção precoce de situações que podem predispor ao desenvolvimento de certos sintomas nesta população em particular, que está exposta a situações de frustração e vulnerabilidade. São plenamente conhecidas hoje em dia as condições de risco e até de precariedade do contexto em que a atividade docente é desenvolvida, e o impacto que tem sobre sua saúde. Desta forma, conseguiríamos um nível de prevenção, porque estaríamos indicando uma série de hipóteses preditivas sobre a propensão a adoecer.

Além disso, seria importante pensar que, ao aplicar, por exemplo, um psicodiagnóstico completo aos futuros professores, poderia conhecer os recursos egóicos com os quais conta, e talvez, fortalecer e prevenir a ocorrência de um possível mal-estar que traga derivações indesejadas. Ademais, a pesquisa sobre a subjetividade dos professores ajuda a visualizar esse problema, que orientará ações em políticas de saúde para melhorias neste setor.

 

Objetivo do nosso trabalho

Procurou-se explorar os recursos e o funcionamento egóico de um grupo de professores que atuam na rede pública, da cidade de São Paulo. Particularmente, os desejos e os mecanismos de defesas utilizados por estes profissionais da Educação que trabalham no contexto escolar do ensino fundamental.

 

Metodologia

Iniciamos em 2014, no Brasil, uma pesquisa com o objetivo de estudar a técnica verbal projetiva denominada Questionário Desiderativa sob um novo olhar (Sneiderman, 2012). Dentro desse estudo maior, surgiu a possibilidade de obter uma amostra controle, ou “não clínica”, de professores do ensino fundamental em uma escola pública na cidade de São Paulo. Nesta oportunidade, nos referirmos a esse corte específico, que é o tema da convocação.

Notamos que, as técnicas projetivas são instrumentos que permitem a exploração da personalidade. Sua riqueza consiste no fato de serem instrumentos que retornam conceitos inconscientes e voltam observáveis como, desejo, fantasia, defesa, ansiedade, medo, etc. Eles promovem as respostas por projeção, que se caracterizam por sua ampla liberdade e manifestam conteúdo do psiquismo tanto conscientes como inconscientes.

 

Falemos de nosso instrumento

O Questionário Desiderativo (Bernstein, J. 1954, Arg.) é uma técnica projetiva de estimulação e produção verbal pouco conhecida no Brasil e utilizada em curta escala. A valiosa técnica apresenta uma simples consigna de administração que alcança respostas que permitem aprofundar o conhecimento da subjetividade. Sua fundamentação teórica é psicanalítica e tem como objetivo principal a exploração das características e grau de organização do EU, do seu repertório e eficácia dos seus mecanismos de defesa, e também da capacidade e tolerância diante de perdas e frustrações. Inclusive explora capacidade de simbolizar, criatividade, valores, ideais e reflete características e traços de caráter de um sujeito. Também é utilizado no campo da clínica e no campo forense, trabalhista e, como nesta oportunidade, educacional.

Participaram do estudo 24 profissionais da Educação, sendo vinte e quatro mulheres e seis homens, com uma amostra total de 30 pessoas. Nesta oportunidade, trabalharemos apenas com a amostra feminina. Os dados foram coletados através do Questionário Desiderativo e analisados pelo referencial proposto por Sneiderman (2012), numa perspectiva psicanalítica.

Em relação ao marco teórico para o presente estudo em particular, partirmos da Psicanálise freudiana, levando em consideração sua concepção do psiquismo e conceitos como pulsão, desejo, defesa, entendidos da seguinte forma:

O conceito de pulsão refere-se a “um processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética) que faz o organismo tender para um objetivo” (Laplanche e Pontalis, 2012). Recordemos que para Freud (1933a), embora a pulsão se origine em uma excitação corporal, ele se refere à mesma como um conceito de fronteira entre o psíquico e o somático. É a pulsão em direção a um objetivo específico.

A noção de desejo freudiana refere-se ao desejo inconsciente ligado à primeira experiência de satisfação e ao movimento que busca a repeti-la. A fantasia é o correlato do desejo. Freud (1915) entendeu isso como um motor básico dos diferentes processos psíquicos. Como esses desejos são, por sua vez, derivações das pulsões, especialmente as libidinais, podem ser categorizadas levando em consideração as diferentes etapas do desenvolvimento psicossexual. Assim, encontraremos desejos relacionados a: 1) libido intrassomática (LI), 2) oral primário (O1), 3) oral secundário sádico-oral (O2), 4) anal primário sádico-anal (A1), 5) anal secundário sádico-anal, 6) fálico-uretral (FU) e 7) fálico-genital (FG). A interpretação dos desejos nos permitirá explorar não só a fantasia de identificação, mas também a fase psicossexual subjacente, que nos permitirá inferir o tipo de mecanismo de defesa com o qual ela opera.

As defesas são um conjunto de operações ou processos inconscientes cujo objetivo é evitar o desprazer e agir diante da experiência de perigo para a integridade e o equilíbrio do sujeito. Os mecanismos de defesa não devem ser associados a uma ideia de patologia, mas sim, como recursos que todos os sujeitos psíquicos possuem.

Tomaremos em consideração as defesas principais ou estruturantes, isto é, a repressão que dá origem a traços ligados à neurose, a desmentida que origina os traços mais regressivos das estruturas narcisistas, a desestimação da lei e do pai que é uma defesa patológica, que dá origem (lugar) às psicoses e, finalmente, a desestimação do afeto, presente em sujeitos com tendência para as afecções psicossomáticas, vícios e outras patologias do desvalimento.

Há uma série de defesas complementares, ou secundárias, que cada sujeito pode fazer uso em situações de vida diária, como por exemplo, a negação, a idealização, a projeção, etc. Entendemos que os mecanismos de defesa podem ser funcionais, como a dissociação instrumental ao serviço de poder se concentrar e estudar, ou isolar, para deixar algum conflito de fora. Entendemos que, em um sujeito, também há recursos saudáveis por excelência, como criatividade, sublimação e senso de humor.

 

Os Estilos Comunicacionais

Nos desenvolvimentos pós-freudianos argentinos, Liberman D. (1962) foi pioneiro nos estudos psicanalíticos de expressão através do discurso, referindo-se ao conceito de “estilos comunicacionais”. Elaborou esse conceito (1962) para explicar as diferentes modalidades expressivas que são apresentadas na comunicação. Estudou a linguagem e os fenômenos que a acompanham, ou seja, tudo paralelo ao verbal, como gestos, movimentos, entonação, timbre de voz, etc. Para isso, ele incluiu como fundamento teórico as formulações freudianas, elementos da teoria de Klein, e da teoria da Comunicação e Linguagem.

O autor chegou a categorizar seis tipos de Estilos Comunicacionais, relacionando-os a cada erogeneidade, ou desejo, e, portanto, com recursos defensivos. Cada estilo de emissor pode ser detectado pela articulação de três tipos de códigos: verbal, para-verbal (por exemplo, fonológico) e não verbal (gestos e outros tipos de expressões do corpo).

Liberman argumentou que os Estilos Comunicacionais não são necessariamente um sinal de patologia, mas que cada um representa uma capacidade do ego. Se essas funções se complementam, elas adquirem características instrumentais para o sujeito.

David Maldavsky o acompanhou no desenvolvimento de algumas de suas obras (1975) e continuou a aprofundar seus estudos sobre Linguagem e Subjetividade. Como expusemos, os Estilos Comunicacionais são seis: reflexivo, lírico, épico, narrativo, de suspense, poética dramática e o sétimo é a linguagem da libido intrassomática adicionada por Maldavsky (1990).

 

1) Estilo comunicacional reflexivo

Corresponde a traços denominados esquizóides, ligados a um momento muito precoce do desenvolvimento infantil, como a oralidade primária, ou de sucção. Nesse momento, a criança é passiva diante de um mundo circundante e cheio de estímulos, que apreendeu através da boca (zona erógena) e do olhar. A pessoa com características esquizóides é definida por Liberman (1962) como “um observador não participante”. Eles têm dificuldade em aspectos de vinculação e participação, porque para eles é sinônimo de dar. Ao mesmo tempo, eles têm a urgência de observar, saber, incorporar. Seu discurso é muito racional e com um alto grau de generalizações. Eles pensam de forma abstrata, mais em fórmulas do que em imagens plásticas, dando lugar a uma grande capacidade de registrar processos e mudanças. É altamente teórico, transformando eventos vitais e concretos em idéias abstratas. Ao expressar-se cria incógnitas provocando curiosidade e necessidade no interlocutor de saber mais. O vínculo é predominantemente cognitivo, sem contato emocional. Poderia ser exemplificado em um olhar contemplativo distante e visto de cima. A vida afetiva é governada pelo medo de ser envergonhado, por perder sua lucidez. Eles se defendem bloqueando afeições.

Maldavsky D. (1998) investigou uma série de redes de palavras que utilizam assiduamente pessoas com esse tipo de traços, e que também levaremos em consideração na análise discursiva do instrumento Questionário Desiderativo. Ele distinguiu que os verbos são fundamentalmente do tipo representacional cognitivo, como: compreender, estudar, ler, conhecer, pensar, etc.

Os assuntos geralmente estão ligados ao conhecimento científico e também se referem a aparelhos, a máquinas, a computadores. Aludem a um conhecimento revelador, questões ligadas ao esoterismo, espíritos, fenômenos parapsicológicos, etc. A defesa predominante é a desmentida, que é acompanhada pela dissociação, intelectualização e racionalização.

Um exemplo deste estilo reflexivo pode ser visto na figura de Dr. Sheldon Cooper, personagem da série americana The Big Bang Theory, que expressa: “o medo das alturas é ilógico, o medo de cair, por um lado, é prudente e evolutivo”, ou essa ideia: “eu acho que encontrei o algoritmo para fazer amigos. Eu projetei um fluxograma que me ajudará neste processo”.

Como um recurso positivo, significa ser capaz de observar situações a distância, permitindo-lhes ver o todo, o geral e o global, ao mesmo tempo em que permite contato com algum detalhe. É a visão macroscópica e microscópica. Além disso, o pensamento científico e abstrato é, sem dúvida, uma vantagem na obtenção de um tipo de conhecimento vinculado à integração e à pesquisa de conteúdo. A defesa como racionalização é o recurso que permite raciocinar de forma coerente ao explicar racionalmente e justificar de forma causal e dedutiva.

 

2) Estilo comunicacional lírico

Corresponde ao tipo de discurso que a pessoa utiliza com características afetivas denominadas depressivas, ligadas à oralidade secundária (sádico-oral). É caracterizada por seu alto componente emocional também expresso em para-verbal. Pessoas com estilo lírico sempre procuram ser amadas e consoladas. Eles se expressam em voz baixa, visceral, em tom de queixa ou de lamento. Eles têm oscilações em seu humor. Os temas estão ligados ao amor, bem como a perda de afeto, a perda de seres amados, podendo ser, tal perda, real ou fantasiada. Seu discurso tem características atemporais. Podem se referir a uma perda que ocorreu há muito tempo, vivenciando isso como algo recente. Quanto às expressões para-verbais, aparece a angústia, o choro, a necessidade de aproximação física. Às vezes, atuam como vítimas se colocando numa condição de “sacrifício”, para demonstrar que são capazes de fazer tudo para o outro. Utilizam frases de reprovação. A defesa subjacente é a desmentida de afeto negativo como o ódio e o egoísmo. Embora se tornem invejosos, eles querem mostrar claramente suas supostas bondades e altruísmo. Todos enfrentaram e elaboraram perdas e frustrações ao longo de sua existência. Então, o que faz a diferença entre traços depressivos e sintomas? A persistência de um luto em tempo e forma e os recursos é que marcam a diferença entre a possibilidade de um luto normal ou que se torna patológico.

De tal modo, as pessoas com traços de Estilo Lírico podem ser muito afetuosas e sensíveis. De fato, tudo é tingido de sentimentos. Podem se identificar e tornarem-se empáticos com a dor e as alegrias dos outros. Entendemos a importância de uma capacidade de contenção nos vínculos, especialmente se é um relacionamento entre um adulto e uma criança.

 

3) Estilo comunicacional épico

Este discurso corresponde às personalidades da ação, (sádico anal primário) que podem atingir comportamentos impulsivos e transgressivos. A característica patognomônica é que ele não influi no pensamento reflexivo que se encontra substituído pela ação e pela indução. Normalmente, eles são incapazes de desenvolver atividades construtivas que requerem estabilidade. É insustentável trabalhar com base em planejamento e valores que devem ser mantidos ao longo do tempo, de modo que, em sua história pessoal, haja frequentes abandonos de tarefas. A sua fachada coerente contrasta com este aspecto de sua história, que geralmente inclui também abandono das relações afetivas. Existe um brilho e uma riqueza em seu vocabulário para tentar apresentar-se de forma convincente enquanto tenta aproveitar da vontade do receptor. Um discurso aparece no tom da denúncia, expressando até o desejo de vingança e justiça. Sempre justifica a racionalização em questões relacionadas a valores, crenças, ética, moralidade, política, etc. Apresenta suas ideias com uma verdade absoluta. Este tipo de sujeito encontra-se fixado em um momento de desenvolvimento evolutivo no qual, embora percebesse sua necessidade, não conseguiu descodificar em termos verbais e, por sua vez, transmitir a mensagem de forma adequada, para que fosse entendida e satisfeita sua necessidade. Esta desordem na capacidade de pensar é acompanhada por uma maneira típica de experimentar frustração e angústia.  O mal estar é decodificado como desgosto, tédio e apatia. O alívio é experimentado com um ato, como sair de um emprego ou insultar.Tentará transgredir a configuração institucional por meio de comportamentos desafiadores e verbalizações de questionamentos. Mostra-se irritável, oposicionista e argumentativo. Apenas aceita as regras sob forma aparente. Também tenta induzir através de ordens e condutas não emitidas diretamente. Dentro dos temas épicos, Maldavsky (1998) ressalta que é muito comum se referir a personagens jovens, excepcionais, diferentes por alguma causa, e justificadas por uma lei própria, ao estilo de um filme de super-heróis. Todo o estilo da linguagem anal primária é expulsivo e, portanto, utiliza verbos e adjetivos escatológicos, por exemplo: cagar, cagada, foda, merda e outros tipos dos chamados “palavrões” ou outros insultos.

Quanto aos recursos positivos fornecidos por este estilo, é fácil entender que cada líder deve possuir certas características persuasivas para comandar um grupo. Em um papel de docente, ou de gestão, é necessário reconhecer que, sem essa habilidade, é difícil conseguir um bom trabalho em equipe. Ademais, fornece a capacidade de tomar decisões, mantê-las argumentativamente, obter apoio por meio da persuasão, para fins positivos.

 

4) Estilo comunicacional narrativo

Está associado ao momento evolutivo anal secundário, retentivo vinculado à aprendizagem e ao controle de esfíncteres (aos dois anos). As normas são apreendidas, o bem se distingue do mal e se começa a valorar suas próprias ações. Além disso, esse controle permite dar lugar ao controle da expulsão dando assim ordem psíquica, tanto para dentro como para fora.

Em adultos, observa-se que o esforço consiste em dar um discurso ordenado, organizado, linear, detalhado e descritivo. A sequência será dada pelas leis de contiguidade e semelhança. São pessoas lógicas e às vezes rígidas. Tratam de relatar com muito detalhe, exatamente como ocorreram os fatos. São repetitivos, escrupulosos e meticulosos. O tema prevalecente é dar ordem a uma situação que é experimentada como caótica. Sempre há um grande medo do desconhecido e da mudança. Há também muitas questões em torno da utilidade, da crueldade, da honestidade, da lealdade, dos vícios, da “sujeira” de uma situação que estão tentando controlar. Isso está relacionado ao controle dos impulsos sádicos e a agressões que se esforçam para emergir. Suprime os sentimentos relacionados à agressão. Por outro lado, eles são pouco expressivos em suas emoções, e causam ao interlocutor, tédio, aborrecimento, irritação e até raiva. Dentro do repertório de defesas utilizadas, a dissociação prevalece como mecanismo de isolamento. Ele também usa a anulação, que é um ato de dois tempos, em que o segundo tira o valor concedido ao primeiro. Este mecanismo está relacionado ao pensamento mágico infantil, por exemplo, dizendo: “eu toco na madeira” se tem a fantasia de cancelar um pensamento negativo. Supervaloriza-se o pensamento racional e o que está relacionado com a palavra. Outra defesa é a intelectualização. Não só teoriza, mas também controla os termos, preocupando-se com o uso correto deles. Geralmente, há falta de metáforas e drama nas histórias. Os assuntos escolhidos geralmente são formais, clichês, circunstanciais. Em relação ao para-verbal, eles são prolixos, se vestem de maneira formal.

Compreendemos a importância de um ego com autocontrole e capacidade de organizar pensamentos. Este recurso permite ordenar o discurso e a comunicação. Respeita-se a autoridade e dá lugar a hierarquias nas instituições. Valoram a utilidade, o saber e o estudo.  Há facilidade para estabelecer padrões por comparações lógicas e fazer classificações.

 

5) Estilo comunicacional de suspense

Este estilo corresponde às personalidades evitativas, características do momento do desenvolvimento edipiano fálico uretral, onde os temores do medo da “castração” predominam no sentido simbólico. O clima que prevalece é medo e assombro. Permanentemente a busca é orientada para a localização do perigo e da ameaça. Pode haver um discurso descontínuo, visceral, cuja última palavra é engolida ou há um corte que é produzido como resultado de angústia. Eles apelam para muitos provérbios e frases feitas para preencher o vazio, ou o silêncio que surgiu em contato com a angústia. Também usam bordãos, que são expressões típicas da linguagem oral, palavras esvaziadas de sentido e sem função morfossintática, que se repetem no discurso de forma inconsciente, como “ehhhh…”, “tipo”…”, “ então”, etc.

Às vezes, quando se sentem invadidos pela angústia ou pelo medo, surge o ato de evitar certas questões, e então trata de não pensar nelas, nem falar sobre elas, já que o coloca na fonte de perigo no mundo externo. Eles ficam facilmente desorientados. O tema predominante é liberdade, independência, risco, aventura e, em contrapartida, tranquilidade, paz, compromisso, dependência. O tema vinculativo e afetivo é central. É característica da problemática gerada pelos atos de distanciamentos e aproximações emocionais, uma vez que regulam a distância para estabelecer o contato com o outro. Referem-se a lugares e situações e os classificam como assustadores, arriscados e atraentes, ou tranquilizantes, seguros e chatos. É o dilema de ser um aventureiro ou um conformista. Parte desse enredo são o azar e a dependência. Neste estilo, procura-se criar um clima de suspense no receptor, que recebe o papel de observador não participante. Em geral, eles apresentam um estado permanente de alerta. Devido à inibição que sempre os acompanha como um traço comportamental, eles dificilmente se expressam de forma direta. Eles são mostrados como sujeitos tímidos e rígidos e geralmente com muito pouca plasticidade corporal. Muitas vezes coram quando falam para uma audiência ou abordam certas questões que são angustiantes. Há também uma variante do comportamento contra fóbico que permite que o sujeito enfrente situações assustadoras à custa da desmentida que às vezes é operativa. Os adjetivos baseiam-se na classificação de acordo com o grau de proximidade e risco que envolve uma situação: calmo, arriscado, pacífico, angustiante, fechada, próxima, distante, íntima, rotina, perigosa, temerosa, etc.

Os mecanismos de defesa que operam são, portanto, a repressão em primeira instância e, em seguida, a evasão, projeção e deslocamento para espaços e objetos. Como um recurso positivo, permite detectar qual é a distância ideal com o outro, sendo ao mesmo tempo curto e interessado, mas não invasivo. Além disso, as situações novas e desconhecidas que apresentam a vida cotidiana são confrontadas com dignidade e vividas como um desafio aventureiro.

 

6) Estilo comunicacional poético ou dramático

Corresponde à linguagem do erotismo fálico genital característico do estágio edipiano. Há sincronização de códigos verbais, para-verbais e não verbais. São personalidades muito expressivas, articulando e transmitindo emoções. Seu objetivo é alcançar um impacto estético e dramático. Por isso que gesticulam muito, adjetivam e relatam com a riqueza, e usam os superlativos. É como se eles se relacionassem com um estilo exibicionista diante de um espectador. Para eles, há certo prazer em toda a atividade de emitir e receber sinais. Isso está ligado ao agrado de certas combinações de linguagem ou de imagens construídas.

O tema predominante é a sedução, o fascínio pela beleza exibida para outro. São muito criativos e fantasiosos, sonhadores. Em contrapartida ao estético, muitas vezes expressam sentimentos de nojo, repugnância, ou diferentes ansiedades através do corpo, por exemplo, náuseas, vômitos, tonturas, desmaios, espasmos o formigamento. Maldavsky (1998) aponta que, em suas histórias, proferem frases de promessa, por exemplo: “trago uma novidade que você não imagina”, “prometo…” com a intenção de seduzir o interlocutor. Quanto aos verbos são redundantes, “sonhar” e “fantasiar”. Por outro lado, existem muitos verbos que aludem ao embelezamento e à sedução, por exemplo: mostrar, atrair, gostar, agradar, brilhar, impactar, seduzir, e contrapondo estes, surgem: aborrecer, deformar, desagradar, etc. Utiliza tanto superlativos quanto diminutivos. A defesa predominante é o mecanismo da repressão. Os traços de caráter acompanhantes são ingênuos e infantis. É por isso que eles geralmente não estão cientes de seu comportamento sedutor ou mesmo exibicionistas.

Sem dúvida, esse estilo oferece muitos recursos positivos, desde a capacidade de simbolização e fala metafórica, até a capacidade de dramatizar histórias e relatos, onde se pode transportar o destinatário para um momento em que haverá um equilíbrio entre o que é contado e como a experiência é transmitida do que é contado. São pessoas agradáveis, afetuosas, calorosas e empáticas. Um recurso inestimável é a capacidade de criatividade e fantasia.

 

7) Um novo estilo comunicacional: Linguagem da libido intrassomática

Apesar de Liberman (1962) não falar de libido intrassomática e seu estilo comunicacional, ele se referiu às características dos sujeitos psicossomáticos como uma personalidade muito regressiva cuja principal característica é uma falha na simbolização acompanhada de uma expressão no nível somático. Ele apontou que haveria uma dissociação entre um comportamento realista rígido e expressão por meio de sintomas colocados no corpo. Liberman caracterizou o discurso com predominância de descarga libidinal com uma fachada de super adaptação, onde o sujeito tenta se adaptar a uma realidade exigente e inclui a falta de matiz afetivo como sua característica patognomônica. Maldavsky (1992) descreve três tipos de discurso característico: 1) Discurso catártico: onde haveria uma tendência para usar a palavra como meio para liberar tensões. Apresenta um pensamento que carece de trabalho e valor simbólico. 2) Inconsistente:  no sujeito aparece na capacidade de se adaptar às necessidades do interlocutor e, para isso, ele cai em adulações e banalidades, dando assim, características de inconsistência ao seu discurso e pouca representatividade. 3) Especulador : o sujeito faz cálculos de cifras, ou frequências. A ênfase vincular estaria colocada em cálculos de jogos de interesse, e não num intercâmbio genuíno. Por sua vez, a realidade é vivida como um conjunto de frequências que ocorrem ritmicamente ou como uma realidade disruptiva em forma de um golpe.

Maldavsky (1992) faz referência a tempos muito arcaicos do desenvolvimento libidinal e da estruturação psíquica, que correspondem a um estágio pré-oral, relacionado à vida intrauterina e aos primeiros momentos logo após o nascimento. Freud (1926) no texto “Inibição, Sintoma e Angustia”, afirma que, imediatamente após o nascimento, a investidura erógena recai sobre os órgãos internos do bebê, como o coração e os pulmões. Além disso, adicionamos os estudos de Pierre Marty (1992), que menciona a pele, pensada como tecido conectivo. Sem dúvida, nos tempos evolutivos iniciais, a coisa mais importante para o bebê é a sobrevivência, é poder investir em seu coração e pulmão para respirar em um meio oxigenado, mas logo, o bebê, cobrará a importância de ser erotizado, sustentado e acariciado por um agente externo.

Neste tempo primitivo é necessário que os estímulos do mundo interno e externo não resultem desbordantes para o bebê. É um período onde a criança por si só não pode neutralizar os estímulos. Para ela, a mãe vai funcionar como um Ego auxiliar e “filtro” da quantidade impossível de tramitar, isto é, o que vai permitir que a criança constitua, paulatinamente, sua própria barreira de proteção anti estímulo. É um momento arcaico onde só se captam quantidades e ainda não existe a qualificação. Quando existem fixações a esse momento, os traços e as patologias que se podem manifestar serão as denominadas patologias do desvalimento (psíquico/orgânico), que incluem uma ampla faixa de apresentações clínicas, que vão desde as discapacidades físicas congênitas, as afecções psicossomáticas e crônicas, como também os vícios, as patologias traumáticas, as anorexias, a bulimia, a obesidade, a tendência ao acidente e os desamparos sociais. Estes tipos de manifestações apresentam complexidade de combinatórias e têm em comum o vínculo entre a desestimação do afeto, como defesa central. O que está em jogo é o mecanismo de autoconservação, a capacidade de ligação para além de Tânatos que tem a tendência a desligar. Há alusão a uma clínica do desborde, onde predominam processos de descarga – sintoma posto no corpo, acidente, ingestão tóxica, etc. – como uma tentativa de tramitação do que pode processar. Em todas as apresentações clínicas, o que é universal é o comando da pulsão de morte. Neste tipo de sujeitos, o comum é a possibilidade de que a pulsão de morte se faça presente de maneira concreta, ameaçando sua integridade. Na clínica do desvalimento, é importante poder prever a chegada de sintomas postos no corpo, por exemplo, uma ingestão, o consumo desmedido e tóxico ou um acidente, como uma forma de anunciar o perigo que não é sentido. Neste tipo de patologias, há lugar a perda da qualificação, isto é, o registro dos afetos e dos matizes sensoriais diferenciais. Não há uma angústia como sinal senão um estado de mal-estar, angústia automática, não plausível de ser unido a nenhum conteúdo representacional. Não podem delimitar sentimentos senão somente sensações e estados. Expressam, por exemplo, sensação de avidez por alimento, descargas mediante atividades físicas, estados de euforia, adrenalina, ou estados de apatia traduzidos como tédio. As defesas complementares são: dissociação, intelectualização, introjeção orgânica, incorporação, identificação adesiva e procedimentos auto calmantes. (Maldavsky, D. 2013)

 

Procedimentos para este estudo

A técnica do Questionário Desiderativo (QD) consta de dois grupos de consigna, organizados numa série de perguntas que promovem a expressão verbal de pelo menos três escolhas simbólicas de valoração positiva (catexias positivas) e três escolhas simbólicas de valoração negativa (catexias negativas). Propõe-se ao sujeito selecionar um símbolo acompanhado por uma justificativa argumentativa. As consignas são pelo menos seis e apontam para que o sujeito se “des-identifique” de sua identidade humana, ao mesmo tempo em que lhe oferece a possibilidade de “re-identificar” parcialmente com a eleição de símbolos não humanos. Assim, o sujeito, de acordo ao grau de fortaleza e de sua organização egóica, como também aos recursos defensivos que o mobiliza, tentará sobrepor-se à situação de perda e regressão que promove a consigna. Quando nos reportamos à fortaleza egóica, há uma referência a si e esta instância é organizada, com capacidade de discriminação, com suas funções conservadas, com disposição de adaptação, como também a uma habilidade de regular e dominar impulsos. Pode-se dizer, então, que o QD permite explorar tanto a capacidade adaptativa quanto o repertório defensivo e quais as erogeneidades dominantes de um sujeito e como o mesmo se elabora e se repõe diante das perdas e das frustrações da vida cotidiana.

Mediante as catexias positivas, descreve-se simbolicamente a forma que o sujeito tem de se defender ante aos perigos e as ameaças. Por-se-ão em jogo – ou não – as defesas mais adaptativas. As catexias negativas expressam à fantasia que o Eu teme que possa lhe suceder se não puder apelar aos recursos defensivos que mostrou nas catexias positivas, como também as consequências negativas que tem sobre o Eu, no uso dessas defesas. De alguma maneira, o fracasso da defesa deixa algo, no entanto, velado, algo profundo que aparece diante de situações de perigo e sentimento de perda.

Segundo a Psicanálise, os símbolos são condensações que podem ser interpretadas a partir tanto do universal quanto do histórico, do cultural e do individual, os quais fazem com que possuam diferentes significações sobrepostas. O símbolo é o modo de representação indireto e figurado de uma ideia, de uma fantasia, de um conflito ou, de um desejo. Segundo Laplanche (2012), a simbolização sempre alude aos pais, aos vínculos, ao nascimento, ao corpo, à sexualidade, aos genitais e à morte.  Interpretaremos os símbolos tomando em conta o universal e cultural, mas considerando especial ênfase no geral e no subjetivo, para poder chegar a categorizá-los. Cada símbolo selecionado no QD possui características gerais que são compartilhadas por consenso e outras que são próprias do mundo interno do sujeito e que o torna, portanto, particular.

 

Uma nova proposta para a Interpretação do Questionário Desiderativo.

Tendo em conta como marco teórico os aportes mencionados de Liberman e Maldavsky, que consideram cada sujeito como um conjunto de erogeneidades e de defesas, refinaremos a interpretação das argumentações ao observar tanto nas palavras, na estrutura de frases (atos de fala), quanto nos relatos, o relacionamento das mesmas com as erogeneidades e defesas. O conteúdo dos estudos preexistentes, realizados por Ocampo M.L (1987) e Grassano E. (1977), combinando-se com as tabelas apresentadas por Maldavsky (2004) em seu Método Algoritmo David Liberman (ADL), utilizado para a análise de estrutura-frase como expressão das erogeneidades, tanto para os componentes verbais como para os componentes para-verbais. Tal método tem dado lugar a uma série de tabelas confeccionadas especialmente com a finalidade de interpretar os símbolos do Questionário Desiderativo, e as linhas argumentativas que costumam acompanhá-los.

Acredita-se que para cada tipo de linguagem do erotismo, ou desejo, corresponde um tipo de traço de caráter e defesa subjacente que é desdobrada especialmente na eleição dos símbolos positivos. O sujeito ao falar expressará certa defesa, ou seja, aquilo que tem tentado reprimir, desmentir ou desestimar. Nos símbolos negativos aparece o fracasso da defesa, o retorno do que o sujeito tem tentado reprimir, desmentir, ou desestimar. Também acompanha um estilo de verbalização e linguagem característica assim como manifestações e condutas para-verbais. Mesmo que o QD seja apreciado dentre as técnicas projetivas, não possui demasiados antecedentes em investigação e aplicativo de indicadores de interpretação que contemplem traço e defesas unidos às apresentações nas patologias atuais como as denominadas patologias do desvalimento.

 

Resultados obtidos e discussão

Analisaremos as Respostas Positivas da amostra feminina de professores, lembrando que a 1+ representa o que é desejado, ao mesmo tempo em que aquele com o qual se identifica possui mais valor identificatório. Essas respostas também nos mostrarão o recurso mais adaptável que cada pessoa possui para o qual uma defesa mais madura apela diante de uma situação de temor, ou mesmo ameaça a sua integridade.

 

Tabela 1: Mulheres – catexias positivas

 24 mulheres % 1+ % 2+ % 3+ Totais
LI 4.17% 8.33% 16.67% 10.47%
O1 12.50% 8.33% 25.00% 16.28%
O2 25.00% 41.67% 16.67% 27.91%
A1 8.33% 4.17% 4.17% 4.65%
A2 4.17% 4.17% 8.33% 4.65%
FU 37.50% 8.33% 16.67% 22.09%
FG 8.33% 25.00% 12.50% 12.79%
FRACASSO 0.00% 0.00% 0.00% 1.16%

 

Catexia 1+

Como primeira catexia positiva, grande parte das professoras mostrou como primeiro recurso defensivo a colocação de distância a partir da evasão (37,5% – FU). A maneira como se expressam é racionalizando sua evasão referindo-se a situações de liberdade e independência. Pensamos que para encarar a docência implica sempre contar com uma boa capacidade de simbolização, como também um ótimo nível de fantasia, o que permite enfrentar o trabalho como sendo um desafio aventureiro. Privilegiam a possibilidade de regular a distância pela qual selecionam símbolos com movimento autônomo e possibilidade de distanciamento. A capacidade motriz é valorada, a habilidade de voar e de mover, de modo que quase nunca podem dar respostas de símbolos pertencentes à categoria de vegetais devido às raízes e à imobilidade que elas implicam. Dão importância à tranquilidade, de estar “em paz” e a estarem fora de perigo, em contrapartida o que os leva a selecionar símbolos que se caracterizam como movimento valente, arriscado, com movimento independente, forte, capaz de enfrentar os perigos e se defender. Em realidade, apreciam aquilo que desejam e não sentem possuir: a liberdade, a independência, a possibilidade de correr riscos e aventuras, ou então: a calma, o compromisso e a dependência.

Não há dúvida de que este recurso é funcional para novas situações que geram ansiedade e que podem ser associadas a circunstâncias de perigo iminente. Liberman (1962) dirá que esses sujeitos têm melhor capacidade de recepção, avaliação e transmissão do que outros. São pessoas reservadas e levemente desconfiadas que reprimam suas ansiedades e medos, preferindo a ação e movimento que a passividade. Talvez a parte que não possa ser considerada tão adaptável é aquilo que envolve o distanciamento de uma situação, que sendo nova, causa certo nível de angústia e inibição. É uma situação onde oferecem possibilidades de fantasiar e projetar-se em um desejo, porém no lugar do desejo, surge uma inibição, ou seja, naqueles que apresentam respostas com criatividade, colocando distância, usando repressão e controle de medos, podem expressar uma situação funcional. O importante é que a defesa é bem sucedida e não dá lugar à emergência de uma angústia desorganizada, por exemplo, é adaptativo: “pássaro, porque é livre e pode estar em vários lugares”.

 

Catexia 2+

Em segundo lugar, aparecem os desejos relacionados às afecções (O2 – 41,67%), ligados a dar ou receber carinho, cuidado e proteção. Os símbolos são privilegiados onde há vida e contato com outros seres. Criam-se vínculos com certo nível de proximidade e intimidade. É muito importante delimitar a posição de identificação, isto é, se eles são reconhecidos em um objeto passivo que recebe atenção amorosa ou que é identificado com um símbolo carinhoso. Exemplo típico seria “cão amoroso”, ou outro tipo de animal de estimação. Estes são símbolos que aludem à compreensão empática e que despertam sentimentos de compaixão pelo que excedem como exemplos animais de estimação pouco agressivos, e em contato corporal. Também selecionam símbolos de animais ou objetos passivos, submissos e capazes de estar em posição de sacrifício como “cachorrinho órfão”, “cavalo de um carroceiro”. Selecionam símbolos que se referem a ajudar, alegrar, e com capacidade de reparação. O objetivo é alcançar uma atmosfera festiva e entusiasmo em vez de predominar os efeitos da ordem da nostalgia. Exemplo desse recurso seria “uma casa grande para abrigar muitas crianças felizes”. Este recurso permite uma boa coordenação entre pensamento, imagem, sentimento e ação.

 

Catexia 3+

Como um terceiro nível de respostas, aparecem recursos ligados a um tipo de pensamento e expressão reflexiva (O1- 25%), em que se privilegiam os vínculos à distância, já que geralmente selecionam objetos inanimados que se encontram distantes, remotos, inalcançáveis; “observando” (embora não estejam vivos) e “contemplando” a distância desde um ângulo superior, por exemplo: nuvem, planeta, estrela. Os símbolos positivos geralmente são caracterizados por pouco ou nenhum contato humano e sempresença de comprometimento afetivo. O ideal é alcançar um nível de imobilidade e contemplação sem compromisso vital. Também escolhem símbolos intangíveis e idealizados, elementos que aludem a uma verdade intelectual abstrata, um conhecimento revelador, metafísico e elevado, que pode estar relacionado ao que é denominado de “espiritual”. Aparecem as fantasias onipotentes e de fortaleza projetada sobre o objeto, que dá origem à expressão de um estilo de pensamento mágico e místico, com um vocabulário relacionado.

 

Quanto às catexias negativas, já houve uma alusão a que mostrarão ao que se temia pelo sujeito se ele não pudesse atrair as defesas mais adaptativas implantadas nas respostas positivas.

 

Tabela 2: Mulheres – catexias negativas

24 mulheres % 1- % 2- % 3- Totais
LI 20.83% 16.67% 29.17% 23.26%
O1 0.00% 4.17% 8.33% 3.49%
O2 16.67% 25.00% 8.33% 17.44%
A1 4.17% 4.17% 8.33% 5.81%
A2 8.33% 8.33% 8.33% 10.47%
FU 25.00% 37.50% 20.83% 27.91%
FG 25.00% 4.17% 16.67% 17.44%
FRACASSO 0.00% 0.00% 0.00% 0.00%

 

Catexia 1-

A primeira resposta negativa geralmente expressa o que o sujeito rejeita de si mesmo e rapidamente quer se livrar. Além disso, é possível observar o fracasso da defesa, pontualmente o que aparece uma vez que a mesma sucumbe. Desta forma, será possível prever que há atrás das defesas, que aparece e torna-se evidente como a parte mais fraca do sujeito.

É interessante que aqui dois tipos de respostas pareciam iguais, sendo algumas mais adaptativas e funcionais do que outras. Vamos por partes, uma boa parte das respostas pertence a uma expressão poética dramática, típica do chamado estágio genital fálico (FG – 25%). Quando a repressão falha como defesa, o rejeitado aparece nas eleições negativas, tudo o que rompe com a harmonia estética tão valorizada, o que consideram desagradável, que causa repúdio ou repugnância, especialmente em relação ao contato visual e tátil. Ao nível do conteúdo, eles se referiram a uma fantasia nos aspectos negativos. Podem exagerar nas características que consideram negativas e dignas de repúdio. Para a expressão verbal, eles usam um estilo sedutor e exibicionista diante de um espectador, com o objetivo de impactar. Como possuem riqueza simbólica, fazem comparações metafóricas. A redundância e a repetição sintática também são dignas de nota. No nível para-verbal, dramatizam, adjetivam usando superlativos e diminutivos, e também gesticulam muito. Podem fazer imitações e falar como criança.  Os apelativos e diminutivos são expressos de maneira infantil. Também enfatizam e exageram, fazendo exclamações acompanhadas de onomatopeias – “aaahhh, nojento!” – bem como os movimentos corporais e faciais como forma de dramatização, para expressar especialmente repugnância. Eles também expressam frases de incredulidade e raridade para suas próprias produções. Por outro lado, as respostas fálicas uretrais foram apresentadas na mesma proporção, entendendo que o que é temido e evitado está presente quando a defesa da repressão falha. Na seguinte catexia 2-, desenvolvemos amplamente esta descrição, uma vez que é a resposta é prevalente.

 

Catexia 2-

Esta resposta com uma porcentagem de 37,5% de FU representa o fracasso do afeto, a proximidade e as defesas de intimidade. Aqui vem a evasão, o medo de ser preso em uma situação da qual não se pode fugir, medo de perder a liberdade e a independência, e acima de tudo, falhar em um desafio e perder a dignidade. Simbolizam o temor de ficarem imobilizados e indefesos diante de agressões e ataques experimentados pela projeção como externos. Por esta razão, eles rejeitam símbolos sem possibilidades de proteção e fuga, que se encontram paralisados e bloqueados ou que infunde medo ou terror. Também rejeitam a proximidade afetiva desse objeto assustador que é experimentado como uma ameaça que perturba.

São característicos em catexias negativas, símbolos imobilizados e de clausura, ou são entregues em circunstâncias incertas. Expressam rejeição também de símbolos que implicam situações repetitivas e rotineiras do mesmo modo que em um estado de desorientação.

Como estilos verbais são expressivos e emotivos com alternância de bloqueios e distância emocional. São extremamente cautelosos, então a evitação de certos termos e palavras aparecem. Os termos utilizados são baseados na classificação de acordo com o grau de proximidade e risco envolvidos em uma situação como: “não seria uma árvore porque sempre seria enraizada no mesmo lugar”, ou “um avião, para poder voar para todos os lados”. Afirmações excedem em locais espaciais e temporários, se preocupam com “onde” e “quando”. Muitas vezes expressam evasivos pretextos, além de usar atenuadores e minimizações. Eles citam provérbios populares e usam “bordões” para preencher espaços que de outra forma dariam origem à angústia. Predominam orações curtas, auto interrupções e sentenças suspensas.

 

Catexia 3-

Finalmente, nesta terceira catexia negativa, fracassa a capacidade de simbolização e aparece o concreto, a referência as “coisas” reais, próprio das respostas LI – 29,17%. Ao fracassar a defesa utilizada nas respostas positivas, para refletir de maneira abstrata e dedutiva (3 + O1) se apresentam respostas concretas da libido intrassomática. Aqui não há possibilidade de metaforizar e falha a criatividade. É uma modalidade muito concreta ligada à linguagem em que o corpo é privilegiado. Podemos observar como, quando prevalecem os símbolos e os argumentos da libido intrassomática, somos testemunhas do fracasso dos recursos mostrados em catexias positivas, se cai no concreto ligado a estados corporais e ações onde a reflexão fracassa.

As respostas mencionam estados e capacidades mentais ou processos e estados do corpo. Um estado implica falar de temperatura como fria, calor, ou, não ter mais energia, estar cansado, ficar “morto”. Como rejeitam a vulnerabilidade argumentam sobre o risco de desaparecimento ou morte. Podem selecionar símbolos que mencionam especificamente as funções do corpo, e corporais, como: respiração, deglutição e defecação. Referem-se aos órgãos dos sentidos, atividades como visão, cheiro e estímulos penetrantes ligados ao olfato e ao tato. Serão argumentados descrevendo funções corporais, mesmo atribuindo-lhes símbolos que não possuem vida (por exemplo, aludindo à falta de calor do gelo ou do metal). A libido intrassomática refere-se à dor orgânica e corporal, e aos sentimentos de surpresa traduzidos na vivência dos golpes de uma realidade repentina que sacode. Aparecem sensações ligadas à perda de um estado de tensão e equilíbrio. Existem estados de apatia, abulia, indiferença ou desinteresse. Em relação ao motor predominante, será associado à descarga e regulação de tensões, bem como procedimentos auto calmantes.

Certo traço de caráter associado ao modo de captar a realidade alude a um vínculo especulativo, que apresenta um ganho que se pode obter através de uma relação, ou de uma situação em particular ligada ao lucro ou bem ao acréscimo de tensões. Segundo Maldavsky (1992), quando sobrevém uma brusca queda da energia ou um excesso de excitação, se desperta um desejo desenfreado de ganância. Seria, pois uma modalidade defensiva. Este interesse consiste na extração de um ganho de prazer que gera um estado de euforia química, de aceleração. Assim, em consequência, encontra respostas em direta referência a uma intrusão orgânica, por exemplo, “injeção, porque dói e pica”, ou “cobra, porque é veneno, mata”. Este tipo de respostas relaciona-se ademais com um fenômeno denominado “concretização” (Segal H. 1981), que consiste em equiparar o símbolo com a “coisa”, com o objeto concreto sobrepondo-o. Para eles o símbolo é a coisa, pelo qual podemos pensar que há certas falhas no pensamento lógico. A concretização relaciona-se também com o hiper-realismo com que descrevem e com uma modalidade de expressão por momentos descarnada e por outro indiferente.

 

Breves reflexões

Com base no nosso trabalho, podemos inferir que, neste grupo de professores, vários recursos adaptativos estavam presentes, como o manejo dos vínculos com certa distância para dar lugar a uma aproximação afetiva, se necessário, conter e proteger.  Assim como a capacidade reflexiva e intelectual que dá lugar ao interesse próprio, juntamente com a curiosidade no grupo como motor de busca, acompanhada de sedução em termos de agradar ao outro e, a capacidade de simbolizar, fantasiar e criar. Todos esses recursos variados e ricos descrevem o melhor dos traços de personalidade desses professores. No entanto, também, observa-se com grande preocupação que se houver falhas por razões diferentes, poderiam aparecer sentimentos de tristeza acompanhados de uma vivência de falta de criatividade, dando lugar a atividades redundantes e rotineiras. Surgem situações evitativas (FU) que podem até levar a uma “fobia”. Isso coincide com o que Cordié (1998) comenta:

“Assim então, a situação da escola pode ser uma fonte de medo e motivar condutas de negação…” e depois continua: quanto ao professor, outra será sua maneira de escapar da situação traumática. As coisas geralmente começam com uma doença somática ou psíquica, quase sempre descrita essa última como “depressão”, para isto seguirá uma “licença por doença” e, em casos mais sérios, uma “licença por doença prolongada”, aqui o absenteísmo é reconhecido, justificado e “sancionado”, a perspectiva de reiniciar as aulas volta consumir o sujeito na mesma angústia, vem à recaída, às vezes, com uma nova patologia e com uma nova interrupção do trabalho. (p.17).

 

Isto é, aquele que começa manifestar-se como desprazer, com traços fóbicos negativos, pode finalmente dar lugar a uma doença física ou psíquica específica, como é notado em nosso estudo, na Catexia 3-, onde a libido intrassomática prevalece. Este tipo de resposta surge como uma contrapartida das manifestações de afeto (O2), ou seja, que diante das manifestações afetivas mostradas como recursos positivos, se falham, isso levaria à desestimação do afeto, e com uma expressão não simbólica através do corpo. O que não se sente como afeto, passa diretamente para o corpo criando sintomas.

Por outro lado, pensamos que a adaptação excessiva como característica singular da libido intrassomática, se encontra incrementada, isto é, os sujeitos se adaptam dócil e exageradamente às diferentes situações às quais estão expostos. Portanto, pode-se observar que em respostas finais aludem ao hiper-realismo, mais especificamente à transmissão ou contágio de doenças, talvez como uma forma de advento dessa possibilidade concreta em que seu corpo irá manifestar seu mal estar.

De alguma forma, este indicador é certamente o mais preocupante, porque nos aproxima da visualização da possibilidade de doença fazer um sintoma no corpo se não pudermos recorrer aos recursos funcionais inseridos. De fato se observam, usualmente, nesses grupos profissionais da Educação, sintomas que podem ser passageiros como também permanecer, como dores de cabeça, dores nas costas, tensão na região do pescoço, problemas a nível gástrico, desmaios entre outras manifestações psicossomáticas. Segundo Abril (2008):

Nas instituições educacionais, observou-se que alguns professores atingiram limites de deterioração física crônica. Desta forma, o mal estar que Freud previu em seu tempo mudou em sua forma de apresentação e no lugar que ocupa para cada professor. Distantes estão os sintomas a interpretar onde o simbólico e o imaginário situam-se em um lugar principal, passando a ser o real do corpo o que está em evidência. (pp. 247-262).

 

Embora a amostra tenha se tornada pequena, não de maneira intencional, ela nos possibilitou uma aproximação ao tema, onde entendemos que seria necessário, sem dúvida, ampliar o padrão em quantidade em outros Estados do Brasil, de forma a se tornar representativa. Também pensamos que seria interessante realizar uma pesquisa transcultural, comparando com amostras de outras nações como, por exemplo, a Argentina.